A psoríase não é uma “doencinha de pele”.
É uma doença inflamatória, sistêmica, crônica e autoimune, que acompanha o paciente por toda a vida, com fases de melhora e piora. Entender isso muda completamente a forma como você enxerga o tratamento – especialmente se trabalha com terapias integrativas como a auriculoterapia neurofisiológica.
O que é psoríase?
O termo vem do grego e remete a “erupções” na pele.
Ela já foi descrita por volta de 1550 a.C., ou seja, não é um problema moderno.
Por muitos séculos foi confundida com lepra e hanseníase. Hoje sabemos que é uma doença autoimune em que o sistema imunológico, exacerbado, passa a atacar o próprio organismo, em especial a pele, e muitas vezes também as articulações e outros órgãos.
Frequência: não faltam pacientes, falta olhar
- Cerca de 2% da população mundial tem psoríase.
- No Brasil, em torno de 1,3% da população, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Traduzindo: é muita gente sofrendo cronicamente.
Se você é profissional da saúde e diz “não tenho paciente”, com uma prevalência dessas, o problema não é a falta de pessoas doentes – é falta de estratégia, posicionamento, comunicação ou preparo para recebê-las.
Psoríase: doença inflamatória sistêmica, crônica e autoimune
Vamos quebrar esses conceitos:
- Inflamatória: há um processo inflamatório intenso, sustentado, com liberação de citocinas pró-inflamatórias.
- Sistêmica: não acomete apenas a pele; pode envolver articulações, intestino, olhos, metabolismo, ossos, sistema cardiovascular.
- Crônica: acompanha o paciente ao longo de toda a vida, com períodos de remissão e exacerbação.
- Autoimune: o sistema imunológico se volta contra estruturas do próprio corpo.
Na prática, isso significa que psoríase não é “apenas estética”. É um sinal claro de desregulação imune e, muitas vezes, de desregulação emocional e metabólica.
Mecanismo básico da psoríase
De forma resumida:
- Linfócitos T são ativados de maneira inadequada.
- Eles liberam citocinas inflamatórias, que:
- dilatam vasos sanguíneos
- recrutam outras células de defesa para a pele.
- Isso acelera a proliferação de queratinócitos (células da pele):
- novas células são produzidas muito rápido
- as células mortas não são eliminadas na mesma velocidade
- há acúmulo em camadas → pele fica espessa, grossa, com “escamas”.
Resultado: placas avermelhadas, espessas, com descamação esbranquiçada ou prateada, coceira, ardência, às vezes dor e sangramento.
Características importantes
- Doença cíclica: sintomas desaparecem e reaparecem, alternando fases de remissão e crise.
- Atinge homens e mulheres em proporções semelhantes.
- Pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum em adultos jovens.
- Não é contagiosa.
- Até o momento, não existe cura, mas há controle e melhora significativa quando o tratamento é bem conduzido.
Fatores emocionais e autoimunidade
Como toda doença autoimune, a psoríase tem forte relação com o emocional:
- Estresse crônico
- Abalos emocionais importantes
- Dificuldade de lidar com frustrações, pressões, vergonha da própria aparência
Muitas vezes, as crises pioram justamente em fases de maior carga emocional.
O contrário também é verdadeiro: pacientes relatam melhora em períodos de maior equilíbrio emocional.
Sintomas e sinais
Alguns dos sintomas mais comuns:
- Placas vermelhas, espessas, descamativas
- Coceira, ardência, dor
- Sangramento em áreas fissuradas
- Pele seca e rachada
- Comprometimento de couro cabeludo, cotovelos, joelhos, dorso, região palmo-plantar, dobras, etc.
- Alterações nas unhas:
- engrossamento
- deformidades
- descolamento
- mudança de cor
Por ser visível, especialmente em mãos, rosto, braços e couro cabeludo, a doença impacta fortemente a autoestima e a vida social.
Tipos de psoríase (resumo)
Existem vários tipos, entre eles:
- Psoríase em placas (vulgar): a forma mais comum (≈90% dos casos).
- Palmo-plantar: atinge palmas das mãos e plantas dos pés – extremamente dolorosa e incapacitante.
- Ungueal: acomete unhas, levando à deformidade e alteração de cor.
- Gutata: lesões em forma de “gota”, geralmente após infecção de garganta/amigdalite.
- Eritrodérmica: forma rara e grave, acomete grande parte do corpo, com risco sistêmico (febre, calafrios).
- Pustulosa: placas com bolhas de pus; pode ser localizada ou generalizada, e em alguns casos é potencialmente grave.
- Artropática (artrite psoriásica): além da pele, acomete articulações, com dor, inchaço e rigidez.
Fatores desencadeantes e agravantes
- Estresse e fatores psicológicos
- Clima frio e pele muito ressecada
- Uso de certos medicamentos:
- corticoides (retirada brusca)
- anti-inflamatórios como ibuprofeno
- alguns anti-hipertensivos
- fármacos para transtorno bipolar, entre outros
- Consumo de álcool
- Tabagismo
- Obesidade
- Infecções (por exemplo, faringites por estreptococo)
- Baixa exposição solar (com segurança, a luz auxilia muitos pacientes)
Comorbidades associadas
Psoríase não anda sozinha. Pode vir acompanhada de:
- Artrite psoriásica
- Doenças cardiovasculares
- Síndrome metabólica, diabetes, obesidade
- Doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn, retocolite ulcerativa)
- Perda óssea
- Uveíte (inflamação ocular)
- Dislipidemia
- Ansiedade, depressão, abuso de álcool e tabaco
Mais um motivo para enxergar o paciente de forma integral, e não “só a pele”.
Tratamento convencional (visão médica)
Como não há cura definitiva, o objetivo é controlar sintomas, reduzir inflamação e melhorar qualidade de vida:
- Tratamento tópico: cremes, pomadas, loções.
- Tratamento sistêmico: comprimidos, injetáveis imunossupressores ou imunobiológicos.
- Fototerapia: exposição controlada à luz ultravioleta, em ambiente supervisionado.
O profissional de terapias integrativas não substitui o médico, mas pode atuar de forma complementar, ajudando a modular dor, inflamação, sono, emocional, sistema imune e qualidade de vida.
Estilo de vida e alimentação: o que orientar
Alguns pontos que você pode (e deve) orientar ao paciente:
- Hidratar bem a pele diariamente.
- Exposição solar moderada, com proteção adequada.
- Reduzir álcool e parar de fumar, quando possível.
- Cuidar do estresse: terapias, movimento, sono, apoio emocional.
- Estimular vida social – não se isolar por vergonha das lesões.
Alimentação com foco anti-inflamatório
- Aumentar:
- legumes e verduras variados
- alimentos integrais ricos em fibras
- sementes (linhaça, chia, girassol, abóbora) – fontes de selênio, magnésio, vitamina E e ômega-3
- Reduzir:
- ultraprocessados
- frituras
- excesso de carnes vermelhas
- açúcar
- álcool
- excesso de cafeína
Essas medidas não substituem tratamento, mas ajudam a controlar processo inflamatório de base.
Auriculoterapia neurofisiológica e psoríase
Aqui entra o olhar da auriculoterapia neurofisiológica:
Ela não “cura psoríase”, mas pode:
- Modular inflamação
- Ajudar na dor, coceira, ardência
- Melhorar sono e, com isso, equilíbrio neuroendócrino
- Apoiar o sistema imunológico de forma reguladora
- Trabalhar emocional (ansiedade, depressão, estresse)
- Integrar-se ao tratamento médico e nutricional
Raciocínio clínico na auriculoterapia
Ao avaliar um paciente com psoríase, o profissional deve pensar em:
- Intestino
- Grande parte das células de defesa está concentrada ali.
- Intestino desequilibrado = imunidade desregulada.
- Pontos relacionados à função intestinal são fundamentais.
- Sono
- Sono ruim desorganiza todo o eixo neuroendócrino e piora inflamação.
- Trabalhar pontos que auxiliem na qualidade do sono.
- Inflamação e imunidade
- Pontos com ação anti-inflamatória e de modulação imune
(como adrenal, subcórtex, entre outros, conforme a escola que você segue).
- Pontos com ação anti-inflamatória e de modulação imune
- Emocional
- Doença autoimune e crônica exige trabalhar ansiedade, tristeza, autoimagem.
- Pontos para estresse, nervo vago, equilíbrio emocional podem ser centrais.
- Pontos locais e segmentares
- Áreas reflexas relacionadas a pele e regiões mais acometidas
(couro cabeludo, cotovelo, joelho, mãos, pés etc.).
- Áreas reflexas relacionadas a pele e regiões mais acometidas
O segredo está em não tratar apenas a placa da pele, mas o organismo inteiro: intestino, sono, emocional, imunidade, dor, comorbidades.
Casos clínicos: por que isso importa?
Relatos clínicos mostram:
- Pacientes com lesões em pés, mãos, barriga, cotovelos, pele toda comprometida, que não respondiam bem apenas ao tratamento dermatológico, começam a apresentar:
- redução de descamação
- diminuição de coceira
- clareamento das placas
- melhora da dor e da funcionalidade
em poucas sessões de auriculoterapia neurofisiológica, especialmente quando associada à mudança de hábitos.
Não é milagre: é lógica fisiológica bem aplicada, com estudo, anamnese detalhada e respeito ao diagnóstico médico.
O papel do profissional de saúde
Se você trabalha com auriculoterapia, precisa ter clareza:
- Você não está “aplicando pontinhos na orelha”.
- Você está lidando com doenças sistêmicas, muitas vezes graves, e com pacientes que sofrem há anos.
- Precisa de:
- boa anamnese
- conhecimento de fisiopatologia
- entendimento de comorbidades
- clareza sobre quando encaminhar ou exigir diagnóstico médico.
Quanto melhor você entende a doença, melhor escolhe os pontos e melhor conduz o caso.
Conclusão
A psoríase é uma doença:
- inflamatória
- sistêmica
- crônica
- autoimune
- com forte impacto emocional e social
Ela exige uma atuação em vários níveis: médico, nutricional, emocional e, sim, também integrativo – incluindo a auriculoterapia neurofisiológica como uma ferramenta poderosa na modulação de sintomas e na qualidade de vida.
Se você é profissional da saúde, a pergunta não é “será que dá para ajudar?”, mas:
“Quão preparado(a) eu estou para atender esse paciente com responsabilidade, conhecimento e estratégia?”
Quanto mais você estuda, entende a origem dos sintomas e integra terapias, mais capaz se torna de entregar aquilo que o paciente mais deseja:
menos dor, menos vergonha, mais função, mais vida.
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